Tráfego pago
Google Ads ou ChatGPT Ads: onde investir em 2026
Um canal tem vinte e cinco anos e atribuição detalhada. O outro tem uma semana de Brasil, custa menos e não aceita metade dos setores. Como decidir sem apostar errado.
7 min de leituraFluxo Ads
Em 11 de agosto de 2026 a OpenAI liberou anúncios no ChatGPT para anunciantes brasileiros. Isso criou a primeira pergunta nova de mídia paga em muitos anos, e ela ainda tem pouca resposta baseada em dado: vale tirar verba do Google para testar o ChatGPT?
A resposta curta é não tire, acrescente — e só se o seu setor for aceito. O resto do artigo explica por quê.
A diferença está no momento, não no formato
No Google, a pessoa digitou o problema. Ela parou o que estava fazendo para procurar, e o anúncio aparece exatamente ali. É a intenção mais alta que existe em mídia paga.
No ChatGPT, ela está no meio de um raciocínio. Perguntou algo, está lendo a resposta, e o anúncio aparece numa caixa identificada abaixo dela. Não é intenção de compra: é interesse no assunto. Vale menos por impressão, e é por isso que custa menos.
Comparação direta
| Critério | Google Ads | ChatGPT Ads |
|---|---|---|
| Segmentação | Palavra-chave digitada | Contexto da conversa |
| Intenção | Alta | Média |
| Volume | Limitado pela busca, mas grande | Menor, e só planos gratuito e Go |
| Cobrança | CPC | CPC ou CPM |
| Atribuição | Detalhada, até a conversão | Agregada, por privacidade |
| Setores aceitos | Quase todos | Varejo, e-commerce e turismo |
| Previsibilidade | Vinte e cinco anos de histórico | Beta, regras mudam sem aviso |
A linha da atribuição é a que mais muda a operação. O ChatGPT Ads devolve dado agregado por decisão de privacidade, então não existe o relatório de conversão detalhado ao qual quem vem do Google está acostumado. A medição precisa ser montada no seu site e no seu CRM, ou você não vai saber o que a campanha gerou.
Metade dos setores nem pode decidir
No início do beta brasileiro, as categorias liberadas são varejo, e-commerce e turismo. Saúde, finanças, política e serviços considerados sensíveis não são aceitos.
A janela de custo, e por que ela fecha
No beta brasileiro o CPM tem ficado abaixo do que o Google cobra em contextos equivalentes. Isso não é generosidade da OpenAI: é o que acontece em toda plataforma nova, quando há muito inventário e poucos anunciantes disputando.
O padrão se repetiu no Facebook em 2012, no Instagram em 2015 e no TikTok em 2020: quem entrou cedo comprou barato e aprendeu a plataforma antes de ela encarecer. Quem entrou depois pagou o preço de leilão maduro e ainda teve que aprender do zero.
A diferença é que os três casos acima viraram canais enormes, e o ChatGPT Ads ainda pode não virar. Entrar cedo é uma aposta com preço baixo, não uma certeza.
Como decidir
- Seu setor é aceito? Se não, a decisão está tomada: fique no Google e trabalhe a citação orgânica.
- Você já tem Google Ads rodando e medido? Se não, comece por ele. Testar canal novo sem base de comparação não ensina nada.
- Existe verba de teste que pode não voltar? Se cada real precisa retornar previsível neste trimestre, espere sair do beta.
- As três acima deram sim? Então destine de 10% a 20% da verba ao ChatGPT Ads por noventa dias, com medição própria montada antes de subir.
O que não fazer
- Não migre a verba. O Google continua sendo o canal de maior intenção, e nada no ChatGPT Ads substitui isso hoje.
- Não avalie em trinta dias. Plataforma em beta muda de comportamento no meio do teste, e trinta dias de dado agregado não conclui nada.
- Não use criativo de outro canal. O anúncio aparece abaixo de uma resposta, com o leitor no meio de um pensamento. Peça de feed interrompe; ali o texto precisa continuar a conversa.
Se quiser que a gente cuide dos dois canais, é o serviço de gestão de tráfego pago — e a primeira coisa que fazemos é conferir se o seu setor pode anunciar no ChatGPT antes de propor qualquer teste.